rio SOROCABA, tentando ficar limpo

A última etapa do complexo de obras do Programa de Despoluição do rio Sorocaba será inaugurada e entrará em operação no próximo dia 31 de agosto. Com a ativação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Aparecidinha, a cidade terá 100% de esgoto tratado. As seis ETEs atualmente em operação tratam 96% de todo esgoto que a cidade produz, enquanto a ETE Aparecidinha vai responder pelos 4% restantes, que correspondem ao esgoto proveniente dos bairros Aparecidinha, Éden, Cajuru e Brigadeiro Tobias.

Desde o ano 2000, a Prefeitura de Sorocaba, por meio do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), vem desenvolvendo o Programa de Despoluição do rio Sorocaba, conjunto de ações que consistem na coleta, afastamento e tratamento de todo o esgoto produzido na cidade, livrando o leito dos córregos e do rio dessa carga de efluente. O cumprimento da meta inicial precisou ser reprogramado, já que a expectativa da Prefeitura era de que a cidade teria a totalidade do esgoto tratado no final de 2008.

A primeira ETE inaugurada dentro do Programa foi a ETE S-1, no retiro São João, que em 2005 garantiu o início do tratamento de 50% dos resíduos produzidos na cidade. Depois dela, foram inauguradas as ETEs do Pitico, Ipaneminha, Quintais do Imperados e Itanguá. O investimento total é de cerca de R$ 150 milhões, com recursos municipais e financiamentos do Governo Federal.
 
Despoluição
 

A perspectiva de despoluição total coloca o rio Sorocaba novamente como o centro das atenções e permite a reaproximação dos sorocabanos com sua origem. Entre as iniciativas para estreitar esse laço está o Parque Linear, projeto da Secretaria Municipal do Meio Ambiente que vem recuperando as margens do rio em toda a sua extensão. De acordo com a secretária do Meio Ambiente, Jussara Lima de Carvalho, o objetivo é ampliar o Linear até o futuro Parque da Biodiversidade, próximo ao Parque Tecnológico, anunciado para ser instalado até o final do ano. “A conectividade das áreas verdes é o grande sonho. Com ela, terá o aumento da biodiversidade tanto da fauna quanto da flora”, destaca.

Além da importância ecológica, o projeto é importante socialmente, já que, é através dele que a população começa a usufruir dos espaços, como a ciclovia, os espaços de lazer e o deck para pesca, próximo ao Parque das Águas, no Jardim Abaeté. “Quando o rio volta a fazer parte da vida do sorocabano, ele se torna um fiscalizador dessas áreas. É a própria população que observa se tem algum problema no rio ou perto dele. Na verdade, é a reintegração do patrimônio público”, ressalta. O Parque Linear possui atualmente 14 quilômetros em toda extensão do Sorocaba, mas ainda faltam algumas etapas para tornar o projeto completo, como a construção de quiosques, bicicletários, “redários” e algumas placas educativas, a respeito dos peixes e aves encontrados ali. 

Vida
 

Hoje, com a poluição controlada, o rio exibe uma grande vitalidade e abriga uma variedade de animais tanto na água quanto em suas margens. Patos, pássaros, garças, cágados e até capivaras refletem a vida devolvida ao rio nos últimos anos.  A população das cerca de 80 espécies de peixes também retorna e aumenta gradativamente, conforme indica os monitoramentos que vem sendo realizado há 15 anos. De acordo com o biólogo, pesquisador e escritor do livro “Os peixes do Rio Sorocaba – a história de uma bacia hidrográfica”, Welber Senteio Smith, aproximadamente 75 dessas espécies são nativas e outras 5 são invasoras, não nativas ou exóticas, como a tilápia, que é africana, e a carpa, que é asiática. “O Sorocaba nunca foi um rio morto, como os de São Paulo, por exemplo. Ele ficou algum tempo na UTI, mas sobreviveu. Nenhuma espécie foi totalmente extinta, mas algumas tiveram a população diminuída. Agora estão aumentando novamente”, explica.

Para Smith, a relação do sorocabano com a pesca no rio Sorocaba sempre existiu, mesmo com a poluição. Com a nova fase, a prática aumenta e incentiva atividades como o primeiro Festival de Pesca Esportiva do Rio Sorocaba, realizado pelo Grupo de Consciência Ambiental de Sorocaba, no aniversário da cidade. “As pessoas hoje se sentem mais seguras de pegar a vara e ter um pouco de contato com a água do rio. Antes ela era cinza, hoje é marrom, sua cor natural”, destaca Smith. Segundo o biólogo, os peixes pescados no rio Sorocaba podem ser consumidos, contanto que sejam bem fritos ou cozidos. “Nada de comer peixe cru do rio Sorocaba, em hipótese alguma”, enfatiza.

Apesar disso, nadar no Sorocaba não é aconselhável. Smith acredita que a prática nunca volte, porque, mesmo com a despoluição total, não há como manter o rio 100% limpo. “Não é só o esgoto que leva poluição ao rio. O Sorocaba é um rio urbano, existem doenças relacionadas a isso. O grande problema é que a chuva varre o solo, a pista, a calçada e traz para o rio toda essa sujeira”, afirma. Os principais problemas para quem tiver um contato maior com a água do Sorocaba é adquirir doenças como leptospirose, diarréia e demais enfermidades relacionadas às bactérias existentes no rio. “Não tem como ter controle total sobre todos os fatores de contaminação. O papel que um cidadão joga no centro da cidade vem para o rio, do mesmo jeito que dejetos de ratos e baratas, comuns em centros urbanos.” ( alias pecisa ver este negócio de pesca esportiva, pois dizem que pegam e soltam o peixe, mas ele é solto de volta machucado, o chamado pesca e solte.

e tb esperar que o cidadao colabore com a manutenção  da ,limpeza do rio,embora ele nunca fique 100% limpo, como diz a matéria nunca poderá ninguem nadar no SOROCABA.)

2 comentários em “rio SOROCABA, tentando ficar limpo”

  1. A pesca esportiva é um importante aliado para o meio ambiente, pois estamos gerando considerável nicho de mercado em cima das espécies nativas esportivas. Apesar do peixe voltar machucado, ele rapidamente se recupera e dentro de alguns dias estará se alimentando novamente. Claro que o risco de morte sempre existe, mas a pesca esportiva é um aliado para valorizar o rio em seu estado natural. Para existirem peixes nobres, é necessário que exista um longo trecho de aguas correntes a jusante de Sorocaba para que permita a piracema. De nada adianta proibir a pesca esportiva e permitir a instalação de hidrelétricas a jusante, pois isso seria muito pior para a fauna do que o ferimento provocado por um anzol.

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