igreja e afins tentam se meter na vida de adolescente estuprada em SOROCABA

Com o apoio de familiares, a adolescente de 14 anos decidiu realizar o aborto. Seu pai, o pedreiro Alexandre Vieira, 37, foi preso em flagrante pelo estupro, terça-feira, e ela está grávida de quatro meses. Com a descoberta do crime, a família decidiu apoiar a decisão da jovem. “A menina pediu para retirar a criança, pois, segundo ela, não é normal carregar filho do próprio pai”, explica o tio da jovem, Urbano Silva Ataíde, 50.
RELEMBRE O CASO
-Polícia investiga estupro a adolescente

O caso chamou a atenção da Igreja Católica de Sorocaba, que se manifestou por meio do arcebispo metropolitano, Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues. Ele se pronunciou por meio de uma carta. No documento, o arcebispo reconhece a tragédia da adolescente grávida, mas clama para que ela tenha o filho.

A Carta na íntegra/ “A notícia, uma verdadeira tragédia, da gravidez de uma adolescente, vítima do próprio pai, e da consequente decisão de abortamento, fere a sensibilidade ética da sociedade. A vida humana começa na concepção e, no quarto mês de gestação, o bebê já mede nove centímetros. Aparenta uma miniatura humana, com pálpebras, nariz, boca e ouvidos completamente formados. Os dedos das mãos e dos pés, estão nitidamente separados e desenvolvidos.

Pode-se ver os vasos sanguíneos através da pele, pois ainda está transparente devido a falta de melanina, e os três vasos do cordão umbilical. É meu dever de arcebispo advertir que católicos que participarem do processo que concretiza o aborto cometem um pecado gravíssimo e ficam excluídos da comunhão eclesial conforme o direito da Igreja: ‘Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae, pelo próprio fato de cometer o delito e nas condições previstas pelo Direito da Igreja’. Com isso a Igreja não quer restringir o campo da misericórdia. Manifesta, sim, a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao inocente morto, a seus pais e a toda sociedade.

Peço à Comissão Arquidiocesana de Defesa da Vida e exorto as pessoas que tenham contato com a família que se esforcem por todos os meios para apoiar a gestante e sua família no sentido de evitar o crime do aborto que ceifa uma vida humana e deixa marcas negativas profundas na alma da gestante”.

Fim tem data marcada
Vítima de estupro consegue documentação para interromper gravidez
Desde quarta-feira, os familiares da adolescente vítima de abuso sexual lutam para providenciar a documentação necessária para realizar a interrupção da gestação de quatro meses, conforme a lei determina.

Programado/ No dia 10 deste mês, a adolescente de 14 anos e a tia estiveram no Plantão Policial Norte para registrar um boletim de ocorrência de abuso sexual. Nele, a gravidez também foi registrada.
Desde então, a menor deu início ao procedimento padrão de exames, que deverão comprovar a paternidade do feto.

Além disso, a própria jovem pediu para que os tios a ajudassem a interromper a gestação  que já durava quatro meses.

Até o julgamento/ Responsável pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), a delegada Ana Luiza Salomone explica que a família da vítima cumpriu com as solicitações legais para realizar o aborto, que deverá ser realizado até a próxima terça-feira. “A Justiça prevê a isenção do crime de aborto em casos específicos e a vítima diz que irá realizá-lo”, finaliza.

Opinião dos especialistas
Em alguns casos, legislação não criminaliza
O Código Penal Brasileiro tem vários artigos que tratam especificamente da criminalização do aborto. É importante ressaltar que o aborto é diferente do infanticídio, que é o assassinato do bebê após a vida intrauterina pela própria mãe, que está sob a influência do estado puerperal.

A legislação prevê, no artigo 128 do Código Penal, que apenas o médico está autorizado a realizar o aborto nos seguintes casos: quando não há outro meio de salvar a vida da gestante e quando a gravidez resulta de estupro. Mesmo assim, no segundo caso, o aborto só pode ser realizado com consentimento da gestante. Se ela for menor ou estiver incapacitada, a decisão deverá partir de seu representante legal.

Mesmo assim, há todo um procedimento a ser seguido. A vítima deve ir ao médico para constatar a gravidez. Em seguida, deve-se ir até a delegacia e registrar um boletim de ocorrência. Com o andamento da investigação, a violência sexual deverá ser comprovada por meio de laudo pericial. Então, o médico terá o direito de perguntar se a vítima deseja interromper a gravidez. A lei isenta o médico da culpa por retirar o feto do útero. Vítima menor de 18 anos, sem responsável legal, o Ministério Público deverá se envolver na tramitação.

O arrependimento deve aparecer com a idade
Devo avaliar este caso de modo pessoal e de forma profissional também. Pessoalmente sou contra o aborto, independentemente da situação, por questões religiosas. Sou católica praticante e também defendo a vida acima de qualquer coisa. Não sei se o aborto é uma escolha racional, pois penso que a mulher o faz por acreditar que não tem condições de cuidar da criança ou por se envergonhar daquilo que fez.

Na parte profissional, avalio o aborto como algo altamente nocivo. Tenho pacientes de todas as idades e, muitas mulheres com 50, 60 anos se mostram culpadas por terem praticado aborto. Claro que, muitos anos antes a mulher sente os sintomas desta culpa, mas só com mais maturidade é possível detectar de onde ela vem.

Meus anos de experiência na área de psicologia mostram que, independente da religião ou classe social, as sequelas daquele ato sempre se manifestarão. É algo tão forte que marca a mulher para o resto de sua vida.

Por todas estas razões, eu acredito que o aborto é algo que não vale à pena, traz dificuldades na vida afetiva, deixa a mulher deprimida vez ou outra. Não é uma questão prática, é algo que se trata de sentimentos muito profundos e complexos.

A mulher deve ter autonomia sobre sua vida
A minha visão é conivente com o Código Penal. Nele a mulher tem o direito de decidir se, em certos casos, interrompe ou não a gravidez. Na minha opinião, esta autonomia deve se estender para todos os casos de gestação. Tenho uma crença religiosa mas, acima dela, toda mulher deve ter o poder de decidir o que é melhor para si.

Considero errada a visão da Igreja, de tentar incentivar uma comoção popular sobre uma decisão tão particular. Pessoalmente, não acho correta a interrupção da gestação, mas cada pessoa deve ser responsável pelas suas decisões.

Não defenderia ou ajudaria uma pessoa a praticar um aborto, vai contra minhas convicções religiosas. A visão religiosa é algo particular, que não deve interferir no espaço de outra pessoa em nenhum momento.

Aquela que carrega a gravidez é a única responsável por dar a luz, cuidar, criar, alimentar educar a criança que irá nascer, por isso ela tem que se sentir preparada para tanta responsabilidade, tem que se sentir capaz de dar conta de tudo isso.

Vivemos uma época na qual a mulher assume muito mais riscos e está conquistando o seu espaço cada vez mais, então cada uma sabe o que é bom para si.( como sempre a igreja tenta se meter na vida dos outros, a mulher deve ter sua própria decisão, afinal a vitima pé ela e não os outros.

fica todo mundo encima nesta hora, mas depois que nasce é cada um por si, todos vão embora e fica a mãe com a criança pra se virar, no caso uma adolescente de 14 que nem pode trabalhar, tem de terminar os estudos e com uma criança e a família muitas vezes com dificuldades, sem falar no trauma pelo resto da vida.
é fácil ser homem e estar por fora da vida desta família, é fácil ficar pré julgando, ah mas pq elas demoraram pra contar ?
agora a vida é dela e das irmãs não cabe igreja, nem ninguém pra se meter e ainda tentar tirar proveito político, social, etc.)

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