laudo aposta série de falhas no desabamento do PÁTIO CIANÊ.

 
Notícia publicada na edição de 15/03/2013 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 9 do caderno A – o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
Os responsáveis técnicos das empresas que atuam na construção do Shopping Pátio Cianê, no Centro de Sorocaba, começaram a ser ouvidos nesta semana pela Polícia Civil, no inquérito que apura os responsáveis pela queda de uma parede de cerca de dez metros de altura, ocorrida no dia 20 de dezembro e que provocou a morte de sete pessoas. Quase três meses depois da tragédia, o laudo pericial que apurava as causas do desabamento foi concluído anteontem pelos peritos, dando início à fase final de investigação para a identificação dos que poderão ser indiciados criminalmente pelo acidente.A delegada Daniela Cavalheiro Moreira Lara de Góes, responsável pelo caso, disse que o laudo oficial aponta como causa uma somatória de fatores que culminaram no desabamento do muro. Entre elas são apontadas a falta de escoramento da parede, a retirada do telhado e do apoio da estrutura da edificação, além da idade da construção. Estão também na lista de fatores elencados pelos peritos, a vibração da terra que servia de sustentação da parede provocada pela própria obra realizada no local e o fluxo intenso de veículos na região, além do fator climático, com a ocorrência de vento e chuva. Embora o laudo não traga nenhuma informação adicional ao que já havia sido levantado sobre o caso, ela disse que o laudo oficial é indispensável para a indicação técnica sobre o ocorrido para que seja dado prosseguimento ao inquérito.

Nesta semana, a delegada disse que já foram ouvidos quatro profissionais envolvidos na obra e mais oito depoimentos já estão agendados para os próximos dias. Daniela Góes afirma que como a maioria dos serviços para a execução do projeto de construção do shopping foram terceirizados, os responsáveis técnicos por todas as empresas relacionadas terão que ser ouvidos, não apenas os responsáveis pela Construtora Fonseca & Mercadante, que está à frente do empreendimento.
 
Faltou estudo

Segundo a delegada, a construtora deixou de apresentar o estudo preliminar que indicava não ser necessário o escoramento da parede, conforme solicitado pelos peritos. “Nossa investigação visa justamente apurar se existe uma ou mais pessoas que sejam responsáveis por esses procedimentos que culminaram com a queda da parede para que sejam indiciadas criminalmente”. Ela não soube estimar, no entanto, qual o prazo previsto para a conclusão do inquérito, já que nos próprios depoimentos são apontadas outras pessoas que precisarão ser ouvidas para a apuração dos fatos. Após todos os depoimentos, caso seja necessário, a delegada afirmou que poderá pedir um novo laudo com base no que foi apontado durante as oitivas para que possa ser apurado quem efetivamente gerou a tragédia. “Temos que ter muita calma para estudar e avaliar os argumentos das pessoas que estão sendo ouvidas no inquérito para que não deixemos nenhuma lacuna na apuração dos fatos”.

Independente da conclusão do inquérito policial que apura a responsabilidade criminal dos envolvidos, a delegada disse que as famílias que perderam os seus familiares na tragédia que sentirem necessidade poderão entrar com ação civil de indenização contra a construtora, que é considerada solidária, por ser a responsável legal pelo projeto em execução. “Existe uma diferença entre a responsabilidade civil e criminal. Na civil, a construtora responde solidariamente, já na criminal o indiciamento é feito individualmente em nome daquele ou daqueles que forem apontados no inquérito como os responsáveis”, argumentou.
 
Construtora discorda

Em nota oficial, a Construtora Fonseca & Mercadante se limitou a declarar que não concorda “in totum” (com o todo) afirmado pelos peritos na conclusão do laudo pericial elaborado nos autos do inquérito policial que investiga os fatos ocorridos no empreendimento Shopping Pátio Cianê. “Salientamos que não obstante a expertise dos senhores peritos que laboraram na feitura do laudo, deles discordamos em alguns pontos”, citou a nota, sem apontar, no entanto, quais seriam os pontos discordantes.

A empresa encerrou o pronunciamento oficial afirmando que tem “plena confiança da correção de todas as medidas tomadas desde o início das obras e estamos à disposição das autoridades competentes para os esclarecimentos que se fizerem necessários, sendo, inclusive, de nosso interesse a cabal apuração das causas do acidente ocorrido.
 
O caso

O desabamento de parte da parede do prédio da antiga fábrica Santo Antônio ocorreu por volta das 19h, do dia 20 de dezembro do ano passado. No momento chovia bastante e, segundo testemunhas, uma forte ventania atingiu as imediações. Os tijolos, com peso de cerca de cinco quilos cada um, caíram sobre os carros que estavam parados na rua Comendador Oeterer, aguardando a abertura do semáforo que dá acesso à rua Álvaro Soares. Seis pessoas que estavam dentro de quatro carros, entre elas uma criança de cinco anos, e mais um motociclista, morreram na hora.

Depois da tragédia, a obra de construção do shopping foi paralisada até que a empresa apresentasse um estudo técnico à Prefeitura para garantir a segurança das pessoas que circulam pelo local, que fica ao lado do Terminal Santo Antonio, e também dos funcionários da obra. Somente depois da colocação de escoramento em todo o entorno do prédio e redes de proteção, a obra foi liberada e também a circulação de veículos e pedestres na rua Comendador Oeterer.

Até o momento nenhuma das famílias das vítimas da tragédia foi indenizada pela empresa. Em fevereiro deste ano, a família do taxista Humberto Dias Ferreira, uma da vítimas do desabamento, entrou com ação de indenização na Fórum de Sorocaba contra a construtora para o ressarcimento por danos materiais e morais sofridos. O total reclamado é estimado (pode ficar acima disso) em cerca de R$ 700 mil, além de uma pensão mensal de R$ 2 mil até a data em que a vítima completasse 75 anos de idade. O Cruzeiro do Sul questionou ontem a construtora, por meio da assessoria de imprensa, sobre a indenização das famílias, mas não houve retorno sobre o assunto. ( pois é fazer obras ainda mais em local antigo como a STO ANTONIO requer muito mais cuidados do que construir coisa nova, agora é esperar que não de pizza neste caso.)

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