pilula do dia seguinte vai ter acesso mais fácil, se liga mulherada

 

O acesso das mulheres à chamada “pílula do dia seguinte” na rede pública de saúde ficará mais fácil a partir deste mês. Em atitude inédita, o Ministério da Saúde distribuiu cerca de 175 mil cartilhas em todo o País com orientações claras a médicos e enfermeiros dos postos de saúde, hospitais e maternidades públicos sobre a distribuição do contraceptivo emergencial. Em Sorocaba, o material ainda não foi entregue, mas deve chegar às mãos dos profissionais da área da saúde nos próximos dias. Cada unidade receberá de um a dois exemplares do livreto.
Com a cartilha, o governo federal pretende reforçar que os comprimidos podem ser entregues gratuitamente à população sem a exigência de receita médica, conforme previa um protocolo escrito entre o fim do ano passado e o início deste ano. A prescrição, no entanto, continua sendo obrigatória para a venda nas farmácias particulares apesar de, na prática, não ser exigida. Na hora da retirada do medicamento na rede pública, a mulher deve consultar-se com um profissional da saúde, que avaliará a sua situação e necessidade de uso. Menores de idade não precisam estar acompanhadas de um responsável para ter acesso ao hormônio, mas receberão orientações e informações mais completas sobre planejamento reprodutivo.Antes do novo protocolo, a receita médica era exigida nas unidades de saúde antes da mulher retirar a pílula. O problema é que as consultas marcadas com ginecologistas podiam levar até dois meses, sendo que o remédio só tem efeito contraceptivo até o quinto dia após a relação sexual desprotegida. A pílula de emergência vem sendo distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS) há oito anos. Entre 2011 e o ano passado, foram distribuídas 793 mil cartelas da pílula em território nacional. A previsão é de que, neste ano, sejam entregues cerca de 1 milhão de cartelas pelo ministério. O hormônio ainda está em processo de compra.

A pílula do dia seguinte funciona como um método contraceptivo denominado “de emergência”, não devendo ser utilizada como uma opção habitual de prevenção contra uma gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis. O medicamento, explica o professor titular de Ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas e Saúde da PUC-SP, Luiz Ferraz de Sampaio Neto, pode agir de diferentes maneiras no corpo da mulher. “Cada uma das ações pode ser mais ou menos importante de acordo com o intervalo de tempo da ingestão do medicamento, o coito desprotegido e a ovulação da mulher”, lembra.

A mais importante das ações é a interferência da ovulação: atrasando-a, adiantando ou impedindo que ocorra naquele ciclo. O remédio também pode atuar espessando o muco cervical que obstrui o canal do colo do útero, dificultando a entrada dos espermatozóides no órgão; interferindo na contratilidade das tubas uterinas e nos movimentos dos cílios do revestimento delas, que são muito importantes no processo reprodutivo; e modificando o revestimento do útero (chamado de endométrio), o que atrapalha a ascensão dos espermatozóides até as tubas. A dose preconizada da pílula é, segundo o especialista, de 1,5 gramas e ela deve ser tomada o mais rápido possível após a relação sexual desprotegida. “Mas há alguma eficácia em até 72 horas após a relação”, destaca. Se o hormônio for ingerido em doses exageradas de uma única vez, a mulher pode apresentar efeitos colaterais como náuseas, vômitos, sensação de cansaço, dores abdominais, dor nas mamas e possíveis interferências na menstruação.

Como a dose única é muito elevada, a ingestão não deve ser repetida dentro do mesmo ciclo mestrual. “E, mais do que isso, não é um método para uso constante mas, sim, para uma eventualidade.” O grau de eficácia do medicamento varia de acordo com o período de ingestão após a relação sexual. Quando utilizada de maneira adequada, explica o especialista, a pílula fornece cerca de 70% de proteção. Os outros métodos hormonais, como as pílulas convencionais, injeções, anel vaginal ou adesivos, tem de 99,2% a 99,7% de eficácia, se usados corretamente.

Popularização

Assim como os outros métodos hormonais, a pílula do dia seguinte é contraindicada para pacientes com antecedente pessoal de tromboembolismo (trombose venosa), tumores hormônio-dependentes (nas mamas, por exemplo), cirrose hepática, insuficiência renal, hipertensão arterial grave, entre outras circunstâncias menos habituais. O medicamento é recomendado, de acordo com Luiz, sempre que houver uma falha no uso de outro método, isto é, se a camisinha não for usada ou tiver se rompido, se a mulher descobrir que não havia usado a pílula anticoncepcional normalmente ou se não tiver optado por nenhum outro método de prevenção. “Também é indicada em casos de estupro”, ressalta.

O uso do hormônio é mais comum entre adolescentes, apesar de não haver contraindicação formal para mulheres mais velhas. “As situações que se associam à necessidade do uso da pílula do dia 
seguinte são mais comuns no tipo de atividade sexual que os iniciantes na sexualidade tem”, explica o professor. O método deveria, de acordo com ele, ser mais popularizado. “É muito menos grave para a mulher usar esta pílula com doses elevadas de hormônio quando for necessário, do que enfrentar uma gestação indesejada ou, pior ainda, se submeter a um abortamento provocado.”
Vale lembrar ainda que a pílula do dia seguinte não funciona como um método abortivo. Ela interfere apenas na fecundação e, segundo o especialista, ainda não existem evidências científicas de que rompa a formação do ovo. “A informação deveria ser mais propagada, pois é uma excelente prestação de serviço para quem um dia estiver na situação de ter tido uma relação sem proteção e não quiser correr o risco de engravidar”, conclui. (Supervisão: Aldo Fogaça)

Algumas farmácias não exigem receita médica
Nas duas ocasiões em que uma estudante de 23 anos, que preferiu não ser identificada, precisou apelar para a pílula do dia seguinte na cidade, não encontrou dificuldades. “Foi fácil de encontrar: fui à farmácia e simplesmente pedi a pílula do dia seguinte”, lembra. Por mais que ela já fosse maior de idade na época, não foi necessário apresentar receita médica ou qualquer documento de identidade para levar o medicamento para casa. “O acesso é simples, ela é comercializada em farmácias sem prescrição alguma.”

Qualquer pessoa, acredita a sorocabana C.C.M., de 17 anos, garante a pílula do dia seguinte facilmente. Na única situação em que comprou o contraceptivo de emergência, a estudante foi até uma farmácia próxima à casa do namorado e pediu ao farmacêutico. “Não apresentei nem documento e nem receita. Eu apenas pedi e venderam pra mim”, conta. O fato de C.C.M. ser menor de idade também não se mostrou uma barreira a ser superada. A jovem comprou o medicamento mesmo sem a autorização de um responsável.
O estagiário E.M.D.B., de 24 anos, é outro que não teve problemas ao necessitar do medicamento. “Já precisei da pílula em duas ocasiões distintas, mas com a mesma pessoa. Encontrei facilmente, na primeira farmácia que fui já comprei”, explica. Tratava-se, de acordo com ele, de um caso emergencial, já que o período de 72 horas para o uso estava se esgotando. “Recorri à farmácia mesmo, na época nem sabia que havia distribuição em postos de saúde”, conta o estagiário.

Na hora da compra, E.M.D.B. esperava por uma enxurrada de perguntas além da exigência de documentos de identidade e prescrição médica. “Pelo contrário, o farmacêutico não perguntou nada e vendeu normalmente como se fosse um analgésico. Não sei como funciona a legislação nesse sentido, mas se torna banal o uso da pílula, sendo que existem riscos à saúde da mulher se tomar com frequência”, destaca. 

A facilidade com que se consegue o contraceptivo de emergência preocupa o estagiário. “Se fala muito em educação sexual com campanhas para o uso de preservativos, mas talvez os órgãos competentes da área devam se preocupar com isso também ou, ao menos, informar os procedimentos e riscos do uso desse artifício para a prevenção de uma gravidez”, conclui. Opinião semelhante tem uma engenheira, de 23 anos, que também não quis se identificar. “Comprei a pílula uma vez sem receita e documento, tem em qualquer farmácia”, explica. Algumas farmácias particulares da cidade foram procuradas, mas optaram por não se pronunciar sobre o assunto.

( tem de distribuir até nas escolas assim como a camisinha para os meninos, já que transar, todo mundo quer e pra evitar a bomba atômica  de filho indesejável.)

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