apocalipse em SOROCITY , aumenta o numero de meninas grávidas

O número de meninas de até 18 anos que tiveram filhos em Sorocaba vem aumentando ano a ano, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). O levantamento mostra que, em um período de quatro anos, o número de adolescentes que se tornaram mães na cidade teve um crescimento de 11,5% – foram 810 jovens em 2009, 845 em 2010, 857 em 2011 e 903 em 2012. O índice é bem superior à média brasileira, que, no período, teve alta de 1,1%, e do Estado de São Paulo, que caiu 0,9% entre 2009 e 2012. Além disso, enquanto os dados nacionais e estaduais apresentam momentos de queda, de um ano a outro, as estatísticas entre as sorocabanas apontam que o número de adolescentes grávidas só cresce na cidade.Daiane Milena da Silva, de 16 anos, tinha um sonho para a sua vida: ser mãe de uma menina. Porém, o que ela não esperava era que isso se realizasse tão cedo, já que engravidou quando tinha 15 anos. “Foi do jeito que eu sempre sonhei, porque tive uma menina, a Emanuelly, que hoje tem oito meses. Mas aconteceu tão rápido”, diz ela. Essa situação se agravou ainda mais por ela ter uma vida, em suas palavras, “complicada”. “Eu não tive apoio nenhum durante a gravidez, fiquei sozinha o tempo todo”, relata. Isso aconteceu porque a maioria dos membros de sua família, inclusive sua mãe, se encontram no sistema prisional. O pai da criança, que não quis assumi-la, também está preso. Com isso, o jeito foi procurar ajuda em projetos de assistência social. “Não tive nenhuma ajuda da minha família. Minha mãe, que eu sinto muita falta dela, foi presa quando eu estava grávida de três meses. Faz um ano e meio que não a vejo, por isso, até hoje ela não conseguiu conhecer a neta dela”, diz Daiane, com lágrimas nos olhos, lembrando de tudo o que ela já passou.

Mesmo que a gravidez não tenha acontecido como em seus sonhos, já que ter um filho durante a adolescência traz muitos problemas psicológicos, Daiane acredita que Emanuelly tenha chegado na hora certa. Isso porque ela vê a filha como uma espécie de redenção. “Eu já fui presa também (passou pelo processo de reabilitação social para menores de 18 anos) e usava drogas, até descobrir que estava grávida. Mas aí comecei a refletir e pensei que aquela criança que estava dentro de mim não tinha pedido para estar ali, não tinha pedido para usar drogas e nem para viver no mundo que vivia. Por isso, eu decidi parar com as drogas, para tentar dar uma vida melhor para minha filha”, constata a adolescente. 

Atualmente, Daiane vive em uma casa abrigo da Associação Lua Nova, que acolhe meninas e mulheres em situação de risco social, oferecendo todo o apoio psicológico e assistencial, tentando lhes dar uma oportunidade de melhorar as condições de vida. Ela diz que é grata por tudo o que está recebendo no local, mas não pretende ficar ali para sempre. Daiane revela que gostaria de voltar a estudar – ela parou de ir à escola quando estava no 6º ano – e conseguir um bom emprego. “Minha filha me mudou bastante. Não sei o que seria de mim se eu não tivesse ela. Por isso, agora quero recomeçar tudo e dar um futuro para minha filha”, afirma.

Apoio psicológico é fundamental

A psicóloga e professora da Universidade de Sorocaba (Uniso), Ana Laura Shliemann, relata que a gravidez na adolescência pode ter um impacto muito grande na vida social de quem passa por essa situação. Porém, ela destaca que a parte da vida dessas meninas que mais sofre afetações é a educacional. “Quando elas descobrem que estão grávidas ainda estão na escola, por isso, a primeira coisa que muitas fazem é parar de estudar e depois não voltam mais. Aí vem um problema social grande, porque se a menina não se forma em nada, não tem estudo, ela acaba ficando com os empregos mais simples, de menor gratificação financeira e acaba tendo uma vida muito regrada”, analisa a psicóloga.

Ana Laura teve bastante contato com adolescentes grávidas quando trabalhou por um tempo na rede pública de saúde. Por isso, ela revela que, na maioria dos casos, a gravidez aconteceu por dois motivos: um desejo de independência e o fato de as adolescentes não terem muita segurança em seus atos, por acreditarem que nada de mal iria acontecer. “Ou ela está querendo muito sair de casa, ter sua própria vida, ou então vem daquele famoso pensamento dos adolescentes, de que “em mim não pega nada”.” Além disso, a psicóloga relata que existe uma versão mais moderna que motiva a gravidez nessa fase da vida. “Em camadas sociais menos favorecidas, as meninas também buscam engravidar de alguém poderoso, como o chefe do tráfico, para ter um certo status.”

Apesar de elencar esses motivos, que envolvem apenas as meninas, a professora da Uniso destaca também que, muitas vezes, os pais dessas adolescentes também podem ter um pouco de culpa. “Porque eles não realizaram o acompanhamento necessário durante a adolescência de suas filhas, não prestaram atenção nos sinais de que isso poderia acontecer ou, então, não tiveram uma conversa aberta sobre sexualidade e os modos de prevenção”, diz ela. 

Como passar por uma gravidez em uma época em que a menina precisaria estar na escola, se descobrindo e percebendo toda a complexidade que a vida apresenta, Ana Laura revela que todo o tipo de apoio é necessário. “Sabemos que, em 90% dos casos, a reação dos pais é o desespero. Mas passado esse primeiro momento, é preciso o apoio do adulto. Ter um acompanhamento psicológico também é fundamental, pois a menina passa de filha para mãe, então, o psicólogo ajuda muito a entender todo esse processo. É importante também que elas passem por grupos terapêuticos, onde as meninas que passam pela mesma situação possam ter com quem compartilhar as experiências”, ressalta. 

Ana Laura também gosta de salientar, sobre essa questão, que defende que a menina grávida não se case só porque vai ter um filho com um rapaz. “Porque daí, ela vira esposa, tem que cuidar da casa e do marido, além de cuidar dela mesma. É muita experiência nova de uma vez só”, conclui.

Brasil e SP têm índices estáveis

As estatísticas do IBGE em relação à gravidez na adolescência apontam que os índices registrados no Brasil e no Estado de São Paulo são mais estáveis que os de Sorocaba. Em todo o Brasil foram registradas 380.619 gestações em meninas com menos de 18 anos em 2009, número que caiu para 371.382 em 2010, voltou a 380.087 em 2011 e subiu para 384.889 em 2012. No período, a variação foi de crescimento de 1,1%. 

Já no Estado de São Paulo, foram 65.100 adolescentes grávidas em 2009, volume que caiu para 63.052 em 2010 e teve índices de 63.874 em 2011 e 64.578 em 2012. No período, a queda foi de 0,9%.

Projeto Gerações oferece apoio a meninas em risco psicossocial 

Um meio que as meninas que engravidam na adolescência possuem para ter apoio durante essa fase difícil de suas vidas é procurar atendimento no projeto Gerações, mantido pela Prefeitura de Sorocaba. Trata-se de um trabalho orientativo, em que as adolescentes que passam pelo atendimento na rede pública de Saúde possam saber das responsabilidades que devem assumir ao passar por essa situação. Com isso, as profissionais envolvidas no projeto esperam que as meninas disseminem essas informações e alertem as outras jovens e adolescentes de sua comunidade, fazendo com que diminuam os números de gravidez na adolescência.

O projeto Gerações trabalha com gestantes que estão em risco psicossocial, principalmente as adolescentes de baixa renda. Elas recebem os aconselhamentos e orientações dentro das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da cidade. Nesses locais existem psicólogos de prontidão para aconselhá-las de como continuarem suas vidas, mesmo tendo sido abandonadas com uma criança no colo. Além da parte psicológica de toda essa situação, as adolescentes contam, também, com atendimentos de saúde, como de odontologistas e ginecologistas, estes últimos que ressaltam a importância de se fazer um pré-natal corretamente, para garantir um bom desenvolvimento do bebê.

Como grande parte das gestantes adolescentes que passa pelo Gerações acaba abandonada por seus parceiros, o projeto também visa ajudá-las a criar algum tipo de renda, para que possam se sustentar e sustentar os seus filhos.

O projeto Gerações atende nas UBSs dos bairros Júlio de Mesquita Filho, Central Parque, Nova Esperança, Cerrado, Wanel Ville, Lopes de Oliveira, Parque São Bento, Vila Sabiá, Vila Barão, Habiteto e Jardim Simus. A ação da Prefeitura também possui profissionais atuando na Policlínica.

Número de meninas grávidas em Sorocaba

2009
Menos de 15 anos – 37

15 anos – 97
16 anos – 166
17 anos – 211
18 anos – 299
TOTAL = 810

2010
Menos de 15 anos – 33

15 anos – 96
16 anos – 173
17 anos – 234
18 anos – 309
TOTAL = 845

2011
Menos de 15 anos – 37

15 anos – 93
16 anos – 176
17 anos – 271
18 anos – 280
TOTAL = 857

2012
Menos de 15 anos – 45

15 anos – 99
16 anos – 160
17 anos – 278
18 anos – 321
TOTAL = 903
 

( um pais que tem MC CATRA como referência se espera o que ? se bem que isso vem de anos e anos, mas esta politica de 18 anos é que ta acabando com o país.
ah não se discute sexo, ah ela só tem 13, meu filho é um menino ainda, ah os jovens nção devem saber de certas coisas, ah não sabem é calro, mas já fazem né ? povo hipócrita e sem noção.
o BRASIL gasta 7 bilhões ao ano em gravidez precoce , e quem engravida cedo, volta a engravidar de novo mais tarde.)

entrevista com SARA WINTER primeira brasileira do FEMEN.

8.fev.2013 – Sara Winter protesta contra o turismo sexual, no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro

Em entrevista exclusiva ao BOL, Sara Winter, 20, líder do Femen Brasil, movimento feminista que há quase um ano chama atenção do país com protestos de topless, conta que já foi prostituta na adolescência, fala sobre as dificuldades do ativismo com nudez  e ressalta a importância do Dia Internacional da Mulher (8 de Março). “É uma grande conquista para o movimento feminista. Comemoramos com muita alegria, como o nosso feriado”, ressalta. Com 15 mulheres no ativismo, o Femen Brasil, explica Sara, tem uma atuação que vai além das aparições com os seios de fora: “As militantes precisam dedicar sete horas semanais a trabalhos como criação de conteúdo para o site e redes sociais.

É uma forma de mostrar que elas têm cérebro, além de peito”.   As famosas manifestações de topless confrontam o turismo sexual, a exploração sexual de adultos e crianças, a homofobia e a violência doméstica; essa última bandeira Sara levanta com uma motivação pessoal. A jovem conta que sofreu calada às agressões de um namorado quando tinha 18 anos. “Não reagi nem denunciei porque não sabia o que fazer, foram duas vezes. Hoje, várias meninas mandam mensagens para o Femen contando alguns acontecimentos do tipo.

Nós temos advogados que trabalham conosco como voluntários, prestamos assistência jurídica para orientar sobre o que deve ser feito, e também prestamos uma assistência psicológica para ensinar sobre o feminismo – para a mulher não se vitimizar. O mais importante nesse tipo de situação é fazer o B.O., exame de corpo de delito, denunciar, procurar um advogado, procurar grupos de apoio.”

Aos 19, Sara resolveu se articular para criar uma célula do Femen no Brasil: “Fiquei sabendo que o movimento existia na Ucrânia desde 2008, e pensei:  ‘Se tem lá, podemos fazer aqui também’. Era minha forma de levar esclarecimento até a população mais simples. Se o feminismo tivesse chegado até a mim antes, eu nunca teria passado por uma situação de violência”. Os primeiros contatos com as ativistas ucranianas foram feitos pelo Facebook. Após conversas por chat e telefone, Sara foi convidada para participar da Eurocopa (em 2012) para protestar contra a rede de prostituição que se formava em torno do evento esportivo. “Nossa preocupação surgiu porque em volta dos estádios havia vários bordéis, que o próprio governo havia criado para receber os turistas sexuais.”  Orientada pela veterana Alexandra Shevchenko, a jovem mostrou os seios para o mundo pela primeira vez. “

Estava me tornando uma célula do Femen”, conta. Por que o topless? Apesar da militância populista, Sara deixa claro que o Femen não tem políticas pré-definidas. Os seios à mostra, símbolo do movimento, servem como arma de combate. “Nossa ideologia é o sextremismo, uma forma de oposição ao machismo. E a nudez é usada pela sociedade patriarcal desde sempre, a mulher nua ou não vende todo tipo de produto. Já que somos mulheres, ao invés de vender produtos, vendemos ideias sociais. Como todo mundo gosta de olhar o corpo de uma mulher, usamos o nosso corpo para passar uma mensagem escrita no peito, um protesto”, explica. Prostituição Antes mesmo de completar maioridade, Sara entrou para o mundo da prostituição.

Hoje, ela relata a experiência e luta para combater esse tipo de trabalho por acreditar que não se trata de uma escolha. “Eu tinha 17 anos e me prostituí por dinheiro para pagar a faculdade (Sara cursava Relações Internacionais) – foram 10 meses. Acho que eu tenho facilidade para abordar esse assunto por ter tido experiência de causa. O Femen, internacionalmente, entende que a prostituição não é uma escolha. A prostituição é um trabalho temporário, ninguém nasce e fala: ‘Quero ser prostituta quando crescer’. Por isso, acreditamos que a prostituição não pode jamais ser considerada uma escolha, ela é uma consequência de um sistema extremamente falido. E eu fui vítima desse sistema”, lembra.

O machismo no funk carioca Sara Winter acredita que o machismo declarado do funk carioca encontra resposta à altura nas letras de Valesca Popozuda.  “Ela faz um funk feminista, coloca a mulher num papel de protagonista”, avalia.  “Mesmo abordando o sexo de maneira explícita, Valesca se coloca numa posição sexual de vantagem. Portanto, muitas letras são feministas, sim, pois vão de confronto ao funk que subestima a mulher. É uma forma positiva de manifestação porque ela trata a mulher com empoderamento do próprio corpo. O homem não é mais o dominante no sexo. Pela primeira vez, ela insere a mulher nesse contexto. É uma conquista! O que não anula a luta do movimento feminista sobre esse tipo de questão, apenas complementa.”

 

Simpatia ao facismo Antes mesmo de ser um embrião do Femen, Sara foi simpatizante de Plínio Salgado (líder da AIB – Ação Integralista Brasileira), que tem uma linha considerada facista, e também se comunicava com outros movimentos neonazistas. A jovem lembra dessa fase de sua vida e assume que foi um engano ideológico: “Eu me interessava muito por política e  me comunicava via internet com muita gente do Sul do país, que se declarava skinhead. Por isso, acabei ligada a esse tipo de coisa. Mas nunca tive um movimento físico nesse sentido, nem militância, era só simpatizante. Depois, quando eu fiz 17 anos e fui estudar Relações Internacionais, eu entendi que não eram coisas boas. Passei a compreender as linhas políticas: direita e esquerda etc. e fui me desapegando de todas essas ideias. Passei a ler Marx, Voltaire, Russell. Fazia parte das disciplinas de política, sociologia e antropologia na faculdade. Quando comecei a ter contato com essas outras obras, eu percebi que eu preferia as ideias libertárias porque me cativavam mais. Hoje, sou totalmente avessa às ideias com as quais antes eu simpatizava”.

Governo Dilma e aborto Sara não poupa palavras para avaliar criticamente o governo Dilma. “Acho que ter uma mulher no poder supremo no Brasil é como uma ilusão, porque quando a Dilma tomou posse a primeira coisa que ela fez foi engavetar todos os nossos direitos reprodutivos – não falando e não discutindo sobre aborto, por exemplo. Acredito que ela negligencia totalmente essa questão”. A ativista ressalta que o Femen é a favor do aborto em todo e qualquer caso: “Eu gostaria muito que o Brasil seguisse o exemplo do Uruguai tornando o aborto uma prática legal para todas as mulheres. Em primeiro lugar, a criança precisa ser desejada. Temos vários problemas de saúde pública por conta da criminalização do aborto, milhares de mulheres morrem. E é uma situação que não vai acabar nunca, então resolveria se as mulheres pudessem fazer isso com segurança e não em clínicas clandestinas de açougueiros e mercenários e, novamente, é algo que é negligenciado no Brasil por conta de questões religiosas”.

http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2013/03/08/entrevista-com-sara-winter.jhtm  leia a entrevista completa ai.

( antes de meterem o pau, leiam, com a mente aberta ai podem  analisar as atitudes delas