FEMEN protesta em LONDRES

Mulheres que fazem parte do grupo feminista ucraniano Femen foram detidas pela polícia nesta quinta-feira (2) ao realizar um protesto com os seios à mostra em Londres. (Foto: Will Oliver/AFP)Mulheres que fazem parte do grupo feminista ucraniano Femen foram detidas pela polícia nesta quinta-feira (2) ao realizar um protesto com os seios à mostra em Londres. (Foto: Will Oliver/AFP)

As mulheres realizaram uma 'maratona islâmica' protestar contra os regimes islâmicos. (Foto: Will Oliver/AFP)As mulheres realizaram uma ‘maratona islâmica’ para protestar contra os regimes islâmicos. (Foto: Will Oliver/AFP)
O motivo de o protesto ser realizado na capital britânica é que, segundo o Femen, esses regimes islâmicos têm o apoio do Comitê Olímpico Internacional. (Foto: Will Oliver/AFP)O motivo de o protesto ser realizado na capital britânica é que, segundo o Femen, esses regimes islâmicos têm o apoio do Comitê Olímpico Internacional. (Foto: Will Oliver/AFP)
Mulher membro do Femen é coberta por policiais após ser detida em Londres. (Foto: Will Oliver/AFP)
Mulher membro do Femen é coberta por policiais após ser detida em Londres.

FEMEN já conta com uma brasileira

“Já posso tirar?”, pergunta, sorrindo, a jovem de 19 anos, enquanto despe a parte de cima da roupa em pleno vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista. Quem está na boca da cena -cabelos loiros, pele bem branca, batom vermelho-tomate nos lábios, seminua antes mesmo do ‘pode’ da reportagem- é Sara Winter (sobrenome fictício, “para não envolver a família”). Sara é a primeira integrante do grupo Femen no Brasil. Nascida em São Carlos (interior de SP), a estudante de cinema foi recém-aceita no coletivo feminista que hoje conta com quase 400 militantes espalhadas pelo mundo. O grupo surgiu na Ucrânia, em 2008, e tem como principal objetivo combater o patriarcado em todas suas formas. “No início, os protestos eram com roupa, mas não adiantava nada. Quando elas começaram a exibir os seios, aí decolou”, constata Sara.

GRIFE
Hoje, o Femen é uma grife global. Suas ações (denominadas “ataques” pelas executoras) aparecem na mídia dia sim, dia não. As ativistas estão geralmente com fantasias minúsculas, grinaldas e fazendo topless. Via de regra, acabam presas.

Embora o foco seja lutar contra o machismo, as Femen se debruçam sobre quaisquer outros temas polêmicos. Dizem dar “uma visão feminina” à pauta do momento.
Já mostraram os peitos na Itália (contra o ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi), na Suíça (contra o Fórum Econômico Mundial), na França (contra o ex-diretor do FMI Dominique Strauss-Khan), na Rússia (contra o presidente Vladimir Putin) e na Turquia (contra a violência doméstica).
Agora, voltam-se com força total para sua cidade de origem, Kiev, contra a organização da Eurocopa na Ucrânia. O torneio serve, na visão delas, ao turismo sexual.
É para lá que Sara embarca neste mês. Ela conseguiu uma doação de R$ 2 mil do grupo ucraniano e ainda tenta angariar mais dinheiro pela internet. A ideia é passar por um treinamento “na marra”, em ações diretas para capturar a taça da Euro e, se possível, destruí-la.

Zanone Fraissat/Folhapress
Sara Winter (sobrenome fictício, "para não envolver a família"), a primeira integrante do grupo Femen no Brasil
Sara Winter (sobrenome fictício, “para não envolver a família”), a primeira integrante do grupo Femen no Brasil
COPA E GRETCHEN
 
Não será seu primeiro “ataque”. No mês passado, a são-carlense tentou invadir o show da Gretchen (“denigre a imagem da mulher brasileira”) na Virada Cultural. Acabou interceptada por um segurança. Sem perder o ânimo, convenceu a organização a fazer um discurso após o show.
“Não queremos destruir esse tipo de mulher que a Gretchen representa, só queremos mostrar que a mulher brasileira não é só isso”, afirma.
Sara também trabalha no médio prazo. Até 2014, espera arregimentar mais de 20 meninas para organizar ataques à organização da Copa do Mundo no Brasil.
“O alvo aqui também vai ser o combater ao turismo sexual”, discursa.
AUTONOMIA
Mas, será que manifestações envolvendo nudez podem surpreender alguém no país do Carnaval?
“Com certeza! As pessoas acreditam que, por estarmos no Brasil, os protestos com peito nu não vão chocar, mas é só lembrar que vivemos num país de maioria católica para ver que não é bem assim”, diz a jovem.
O fato de as Femen que aparecem na mídia serem jovens magras, loiras e bem-depiladas as torna alvo de críticas de outras feministas. Há quem as acuse de serem obedientes à cartilha da indústria da beleza. Ou que suas performances apenas alimentam uma mídia ávida por nudez.
Segundo Sara, não há padrão de beleza para entrar grupo. “E eu sinceramente acho que boa parte das pessoas entende a nossa mensagem”, diz.
Há outros motivos para estarem nuas, como a demonstração de autonomia sobre o próprio corpo. Em resumo, “se um homem pode andar por aí sem camisa, por que a mulher não pode?”
Ao fim da entrevista, após pintar os seios de verde-amarelo, a Femen são-carlense desabafa um arrependimento: já foi agredida por um ex, e não procurou a polícia.
“Eu era muito dependente dele, morava na casa dele. Tinha medo. Hoje, eu não pensaria duas vezes. Tem que denunciar.“( é isso ai galera , é a mulher indo a luta)

FEMEN protesta pelo preço do gás natural

Ucranianas protestam por gás e sem roupa apesar do frio de -22ºC

As ativistas ucranianas do grupo Femen enfrentaram o frio e tiraram a roupa em Moscou, na Rússia, onde os termômetros marcam -22ºC, mas a sensação térmica é de até -31ºC. Em frente à sede da russa Gazprom, acusada de monopólio no fornecimento de gás natural, elas protestam contra o preço do gás –há meses a Ucrânia negocia com a Rússia por um preço menor. http://economia.uol.com.br/album/120213_femen_moscou_album.jhtm#fotoNav=2 ( e como sempre a policia FDP tem de ficar intervindo, pelo jeito pra eles ta bom o o pais né ? ah mas eles apenas cimprem ordens, pois é polica não tem opinião própria em nenhum lugar do mundo, no link vc tem mais fotos do protesto.)

estuprada, queimada, e ainda querem que a mulher fique quieta ?

Uma ucraniana de 18 anos morreu nesta quinta-feira (29) quase três semanas depois de ter sido estuprada por três homens, em um ataque que se tornou um dos maiores crimes do país nos últimos anos.

Oksana Makar foi estuprada por três jovens, estrangulada, queimada viva e abandonada à morte em um ataque na cidade de Mykolayiv, no sul da Ucrânia, no dia 10 de março, segundo os promotores.

A vítima foi encontrada por uma pessoa que passava pelo local e a viu abandonada depois do ataque, supostamente em um canteiro de obras. Ela foi hospitalizada em estado crítico com 55% do corpo queimado, o que obrigou os médicos a amputarem os pés, um braço e uma perna da moça.

Oksana Makar morreu em decorrência dos ferimentos em um hospital especializado na cidade de Donetsk, ao leste, para onde foi levada após o resgate, informou a clínica à agência de notícias Interfax-Ukraine.

Oksana Makar é socorrida em hospital de Mykolayiv, no sul da Ucrânia, em 16 de março (Foto: Reuters)Oksana Makar é socorrida em hospital de Mykolayiv, no sul da Ucrânia, em 16 de março (Foto: Reuters)

O coração dela parou de bater após uma hemorragia que começou nos pulmões, e ela morreu, apesar de três tentativas para ressuscitá-la, disse o médico-chefe do centro de queimaduras de Donetsk, Emil Fistal.

O crime causou uma comoção pública na Ucrânia, expondo a incompetência das autoridades responsáveis e a extensão dos problemas sociais em cidades industriais como Mykolayiv, que são atingidas por problemas com drogas e Aids.

Um dos agressores de Makar alugou o apartamento onde ela foi estuprada. Aparentemente, eles a estrangularam e a queimaram na tentativa de encobrir seus rastros.

O ataque desencadeou a indignação dos moradores locais e do grupo feminista Femen, que protestou de topless em frente à Promotoria Geral em Kiev.

“Morte aos sádicos!” e “Oksana, Vive!” bradavam as feministas depois de terem escalado o pórtico de entrada do prédio da Promotoria.

A revolta geral aumentou com um vídeo apresentado como sendo o interrogatório de um dos torturadores de Oksana Makar e difundido no Youtube.

Nele, é possível ver um jovem, com o rosto coberto, descrevendo o crime, no qual teria estrangulado Oksana com as mãos e, depois, com uma corda.

Ele dizia que a vítima tinha aceitado manter relações sexuais com seus agressores, e que depois ameaçou “denunciá-los à polícia” por estupro.

“Ela gritava (…) e eu a estuprei. Ela não se acalmou e decidi estrangulá-la”, contou.

Acreditando que a jovem estivesse morta, seus agressores a jogaram em um canteiro. “Eu não queria queimar o corpo”, disse ele, que alegou ter colocado fogo apenas em um pedaço de pano e jogado perto da vítima.

A imprensa ucraniana informou que os suspeitos são filhos de pais ricos com fortes relações com as autoridades do governo local.

Contudo, seus nomes ainda não foram oficialmente revelados.

Devido ao impacto do escândalo, os dois suspeitos voltaram a ser presos alguns dias depois de terem sido soltos e várias autoridades da polícia e da Promotoria local foram demitidas, segundo o Ministério do Interior.

Os supostos autores do crime podem ser condenados à prisão perpétua, pena mais severa da Ucrânia, disse a mesma fonte.( e depois ainda perguntam pq o FEMEN protesta, e a policia FDP as prende, vamos ver se a infeliz que foi morta terá justiça)

a origem do grupo FEMEN da UCRÂNIA

Anna Hutsol (direita), líder do grupo ativista Femen
Anna Hutsol (direita), líder do grupo ativista Femen
As outras garotas encarnam o movimento, mas ela é a cabeça pensante. É nos bastidores, longe do espocar dos flashes, que Anna Hutsol, pequena ruiva de 27 anos, de rosto sério, controla o movimento. Desde que o Femen se tornou uma empresa, ela atua como chefe. Sempre enfurnada no Café Cupido, que as ativistas costumam frequentar, ela nega ser “a líder”, mas reconhece que em um momento foi necessário “dividir o trabalho”. “Mas não sou Lukashenko”, afirma sorrindo a jovem, fazendo uma alusão ao ditador de Belarus.Assim como Sasha Chevtchenko e Oksana Chatchko, outras duas integrantes do Femen, Anna Hutsol nasceu no território de Khmelnitksi, uma cidade de porte médio situada 300 quilômetros a oeste de Kiev, na Ucrânia. Sua família, estabelecida em um pequeno vilarejo com cerca de mil habitantes, vivia modestamente do cultivo de uma horta e da criação de alguns animais. “Cresci nos anos 1990,” ela lembra. “A situação econômica era muito difícil. Após a queda da URSS, muitos homens se viram desempregados. Eles bebiam demais, eram as mulheres do vilarejo que garantiam a sobrevivência da família”.
Foto 5 de 10 – Ativistas ucranianas do grupo Femen protestam seminuas em frente ao prédio do Parlamento em Sofia, capital da Bulgária, neste sábado (21). Nos cartazes, frases como “mulher não é saco de pancada” e “prisão para estupradores” criticam decisões recentes da Justiça búlgara em casos de violência doméstica Mais 


Já a jovem entrou na universidade depois que seus pais se divorciaram. Matriculada em sociologia, ela frequentou diversas associações estudantis. Quando decidiu se engajar mais além na luta pelo direito das mulheres? Difícil dizer com certeza. Talvez no dia em que, sentada em um banco em Khmelnistki, ela viu desfilarem casais que saíam do cartório de casamentos. “Eu os observava, felizes, de mãos dadas. As meninas eram muito jovens, tinham no máximo 16 ou 17 anos. A vida delas tinha acabado de terminar, e elas não se davam conta disso”, lembra.
Embora muitas vezes elas tenham uma atividade profissional, as mulheres ucranianas, da forma como Anna as retrata, têm pouco espaço para se expressarem fora do lar. “Elas se satisfazem com uma vida doméstica. É muito difícil fazer com que elas entendam até que ponto são discriminadas.” Para combater essa inércia, a jovem mergulha nas obras de Friedrich Engels e August Bebel. “A mulher e o socialismo” a inspira de forma especial. Diversas vezes ela percorreu o texto e organizou comitês de leitura. “Ao comparar a situação de nossas mães com a das mulheres no século 19, pode-se dizer que pouca coisa havia mudado”, ela explica.  
 
Dentro do Nova Ética, uma associação composta unicamente por garotas criada no começo dos anos 2000, a militante iniciante organizou palestras sobre igualdade dos sexos, montou exposições de fotos tiradas por mulheres, organizou jogos de cultura geral. Sasha e Oksana participavam das sessões e foi Sasha que assumiu quando Anna decidiu, em 2007, trocar a província pela capital.
Quando chegou a Kiev, Anna trabalhou durante um ano “no show business”, com estrelas da música como Tina Karol e o grupo Quest Pistols. “Aquilo não me agradava, mas entendi muitas coisas: para que uma organização seja ouvida, ela deve ser popular. Ela deve despertar emoções, empolgação. As pessoas sempre se interessarão mais pela cor da calcinha de Tina Karol do que pelas conferências sobre feminismo”.Após a fundação do Femen, em 2008, Anna Hutsol apostou nas relações nesse meio do espetáculo para atrair atenção. Logo percebeu que as jovens não precisavam dessas madrinhas de conveniência para interessar a mídia. A primeira vez que elas saíram vestidas de prostitutas para protestar contra o boom do turismo sexual causou grande impressão. “A Ucrânia não é um bordel”, elas clamavam, acusando o governo de ter favorecido a prostituição ao acabar com a necessidade de vistos de entrada no país para os ocidentais.

Segundo um estudo conduzido pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev, uma em cada oito prostitutas ucranianas é estudante de faculdade ou de colégio. Em Kiev, o número seria bem mais elevado. Segundo estimativas apresentadas por Anna, 60% das garotas que se prostituem na capital frequentam a universidade. “As condições econômicas são tão ruins que algumas delas não têm escolha. Os estrangeiros pensam que podem comprá-las pelo preço de um drink. Eles chegam em voos baratos e assediam as garotas. Todos os dias, tem uma que nos conta ter sido abordada dessa maneira”.Cientes de que a situação pode piorar com a vinda dos torcedores do Campeonato Europeu de Futebol de 2012, há dois anos as integrantes do Femen vêm pedindo continuamente por uma competição “sem prostituição”. Elas afirmam que a UEFA se faz de desentendida.
“As receitas ilegais da prostituição representaram em 2008 entre US$ 750 milhões e 1 bilhão. Em 2010, calcula-se que tenham sido US$ 1,5 bilhão. Dada a corrupção que reina no país, os políticos e alguns funcionários públicos necessariamente lucram com isso”, afirma Anna.Embora a denúncia desse mercado oculto seja a parte central das atividades do Femen, o grupo também se destaca em uma série de outras lutas. As ativistas são presas com frequência após suas ações. “Antes de 2010, tínhamos relações pacíficas com a polícia, mas quando passamos a protestar contra a ausência de mulheres no governo de Azarov, os confrontos ficaram mais tensos.” Anna providencia as negociações com as autoridades, contata advogados e paga as fianças.

“Eu gostaria de largar tudo isso para voltar a campo”, ela garante. Mas, de acordo com seu amigo Viktor Sviatski, 34, a jovem ruiva é sobretudo “uma grande idealizadora” do agit-prop. “Ela revolucionou todos os estereótipos da publicidade. Com meios limitados, ela fez do Femen o movimento ativista mais famoso da Ucrânia. Essas meninas são como a Marianne de Delacroix: revolucionárias”.( o grupo surgiu num pais ferrado, e ainda não querem que protestem ? )

grupo FEME protesta contra prostituição na SUÍÇA

Manifestantes do movimento feminista ucraniano Femen protestam pelos direitos das mulheres em Zurique, na Suíça. A manifestação foi organizada para protestar contra a prostituição feminina na Europa. A Ucrânia é o país de origem de grande parte das prostitutas do continente  Foto: EFE

Manifestantes do movimento feminista ucraniano Femen protestam pelos direitos das mulheres em Zurique, na Suíça. A manifestação foi organizada para protestar contra a prostituição feminina na Europa. A Ucrânia é o país de origem de grande parte das prostitutas do continente.

http://noticias.terra.com.br/mundo/fotos/0,,OI176700-EI294,00-Ucranianas+tiram+a+roupa+em+protesto+contra+a+prostituicao.html ( as demais fotos vc confere no link)

saiba mais sobre o FEME , grupo feminino da UCRÂNIA

Inna Shevchenko, fundadora do grupo Femen, conta o que há na cabeça por trás dos corpos que chamam a atenção do mundo para a Ucrânia.

“O pior de tudo é voltar para casa. Toda vez que fico pelada para protestar, sou levada para a delegacia. Mas prefiro enfrentar os policiais, que, como você pode ver em vídeos, me pegam à força e me batem, a encarar minha mãe.

Ela chora muito. Grita que eu sou louca. Ela não entende, viveu a vida toda na União Soviética, nunca pôde dizer o que pensava. Na semana passada, ela brigou comigo, disse que eu só queria chamar a atenção.

  Sergey Dolzhenko/Efe  
Grupo de ativistas ucranianas do Femen usa a nudez para lutar contra o turismo sexual no país
Grupo de ativistas ucranianas do Femen usa a nudez para lutar contra o turismo sexual no país

E é isso mesmo que eu quero: chamar a atenção. Só que não para mim. Uso o corpo para mostrar o que está errado. Há tanto de errado na Ucrânia.

A começar por nosso país ser destino de turismo sexual. Não é o tal do corpo ucraniano que eles buscam? Pois nós o mostramos de graça.

Por um ano e meio, protestamos sem tirar a roupa. Mas você me conhece porque passamos a protestar de peito de fora. O mundo nos conhece como uma organização de tetas. Também fazíamos fotos lindas com roupa, mas ninguém olhava. Se não estivéssemos usando nosso estilo de protestar, não teríamos atenção.

Isso não é por causa dos corpos nus. As pessoas olham para o paradoxo de mulheres lindas que não estão em revistas, e sim na rua com cartazes. Mulher pelada não serve só para anunciar carro e cerveja. Serve para propaganda política.

Conheci a líder do grupo, Anna Hutsol, há três anos e juntas começamos o Femen. Gostei da ideia, queria fazer algo radical. Na época, estudava jornalismo na Universidade Nacional da Ucrânia e também trabalhava como jornalista no governo municipal.

Depois de uma performance que fiz semi-nua perto de um ministério, fui presa. Voltei ao escritório no dia seguinte e a chefe me recebeu com fotos minhas do protesto, com os peitos à mostra. Perdi o emprego. Decidi me dedicar só ao grupo.

GUERREIRA

Femen é o poder de jovens mulheres da Ucrânia. Queremos mudar a situação de um jeito radical. E nossa técnica é usar nosso erotismo, nossa beleza.

Mulheres são lindas, têm corpos lindos. E servem para mais coisas do que clipes de rap.

Percebemos que aqui só isso traria atenção ao nosso problema. Nosso governo não se importa com a opinião do povo. Mas temos nossos corpos e vamos usá-los sem medo.

Fazemos fotos provocantes. Então nos importamos com nossa aparência porque nos importamos com quão atraentes serão as fotos. Somos nós que ficamos peladas, mas é a política ucraniana que fica com vergonha do nosso nu.

Nós que tiramos a roupa somos “as guerreiras”. Somos 20. Mas há muitas outras por trás, na organização da logística. No total somos mais de cem mulheres. Agora passamos a aceitar homens também. Eles ainda não tiram a roupa, acho que nem vão.

Meu trabalho é convidar os ativistas, treiná-los e organizar as performances. As reuniões são feitas em bares ou no McDonald’s. Sou a única das guerreiras que fala inglês, o que limita nosso contato com a imprensa de outros países. Mas o trabalho tem uma linguagem bem universal, não?

Agora, está mais fácil aderir ao Femen. Todos sabem da nossa existência, e meninas do país todo vêm se juntar a nós. Mas, há um ano, eu tinha que convencer desconhecidas na rua a aderir à nossa causa.

PROFESSORA OU PROSTITUTA

Ser uma garota na Ucrânia é muito difícil. Ninguém ensina às mulheres daqui que elas têm direitos e possibilidades. Ninguém ensina às mulheres ucranianas que elas podem estar na política ou nos negócios. A obsessão nacional das jovens daqui é se casar com um estrangeiro, com um europeu.

Há só duas possibilidades de trabalho: ser professora e ganhar 200 dólares por mês, como minha mãe, ou ser puta e ganhar cem dólares por noite.

Esse é um país de homens e para homens. Ninguém aqui faz nada pelas mulheres.

Não temos chance de usar nossos recursos, nossa mente, nosso poder. Nosso governo tem interesse no mercado da prostituição e do turismo sexual.

Quando você pega um mapa gratuito, com emblema do governo, lá estão endereços de casas de massagem e bares-bordéis. Pela lei, prostituição é ilegal. Mas eu falo com você de um café no centro de Kiev. Há três estabelecimentos vizinhos que são bordéis. Todo o mundo sabe. Ninguém faz nada. As jovens são como carne para os tigres, que são os turistas.

O FUTURO

Disseram que deveríamos criar um partido para as próximas eleições. Não faremos isso. Nunca quisemos ser uma organização feminista clássica. Mas nos chamam de feministas e tudo bem. Estamos criando um novo feminismo, mais interessante para os dias de hoje. O feminismo clássico morreu fora de livros e de conferências.

Nós somos contra a copa Euro 2012 na Ucrânia. O senso comum diz que seria bom para nosso país, criaria infraestrutura. Não acreditamos nisso.

Os turistas virão atrás de sexo. Há discussão dentro do governo para legalizar a prostituição até lá. Não queremos que a Ucrânia vire um bordel institucionalizado. Funciona na Suécia, mas não aqui.

Queremos viajar pela Europa fazendo um grupo da Femen em cada capital. Agora levantamos dinheiro para essa turnê. Em dois ou três anos, Femen será um estilo de vida para mulheres europeias. Essa será uma nova cultura feminina.” ( toda forma de protesto é valida, desde que seja ordeira e pacifica, estas mulheres tem a coragem de expor seus corpos por um pais melhor para elas e para todos.

a UCRÂNIA , que quer um futuro melhor deveria apoiá-las mais , contra um governo corrupto e explorador.)